Património

IGREJA MATRIZ DE ODIVELAS

O actual edifício foi fruto de uma reconstrução de finais do século XVII cujo acesso faz-se através da escadaria dupla datada de 1680. Do antigo templo resta uma pia quinhentista integrada na capela baptismal formada a azulejos historiados com cenas de baptismo.

No seu interior, a igreja, de uma só nave, é decorada com azulejos historiados, de excelente qualidade, alusivos à Eucaristia e de efeito cénico com volutas em “trompe l’oeil”, que segundo José Meco são da autoria de Nicolau de Freitas, que datam da primeira metade do século XVIII. No interior encontravam-se várias pinturas, emolduradas por estuque “rocaille”, com os seguintes temas: “Jesus ensinando no Templo”, “Fuga para o Egipto”, “Circuncisão”, “Anunciação”, “Visitação”, “Adoração dos Pastores”, “Adoração dos Magos”, entre outras.

Na nave estão localizados quatro altares laterais com retábulos de talha dourada com colunas salomónicas e cariátides com decoração de folhas de acanto estilizadas, dois altares ladeando o arco triunfal também de talha dourada que anunciam uma simetria que se desliga do barroco joanino aproximando-se de uma linguagem neo-clássica.

A capela-mor ostentando nas suas paredes motivos “rocaille” como conchas e grinaldas de flores dando enquadramento a um interessante retábulo de mármore.
Foi neste templo que ocorreu o roubo dos vasos sagrados no Sacrário, em 1671, por António Ferreira.

MOSTEIRO DE S. DINIS

O Mosteiro de S. Dinis, fundado pelo Rei D. Dinis, vê iniciada a sua construção em 1295.

Existem duas versões que justificam a sua construção.
Segundo a História, o monarca construiu este mosteiro, para nele acolher a sua filha D. Maria Afonso, cuja família materna possuía o Paço do Lumiar. Esta infanta morre ainda adolescente.

A tradição conta-nos que, andando o rei à caça na zona de Beja (ou de A-da-Beja noutra versão), foi atacado por um corpulento urso que, investindo contra o cavalo, deitou por terra o monarca. Ao invocar os protetores S. Dinis e S. Luís, bispo de Tolosa, para sua defesa, prometeu fundar um mosteiro se conseguisse sair ileso daquele perigo. Puxou do punhal que trazia à cinta, cravou-o no coração da fera que logo ficou sem vida.

A primitiva construção do Mosteiro de S. Dinis era, na sua totalidade em estilo gótico. A igreja do mosteiro compunha-se de três naves, flanqueadas por duas torres. Desta construção inicial, restam as capelas adsidais, dois lances do claustro novo, e o claustro da Moura.

Com os sucessivos restauros efetuados, o Mosteiro começa a perder a primitiva pureza de linhas, por volta do século XVI. Identificam-se as portas do claustro em estilo Manuelino, a fonte Renascentista, as capelas quer de mármore quer de estilo barroco, as alpendradas, o revestimento das paredes a azulejo, já em 1671, que caracteriza o exterior, que o interior, nomeadamente os núcleos da antiga cozinha do convento, do refeitório das freiras, da alpendrada, do natex e da portaria.

No século XVIII, depois do terramoto, fizeram-se obras que não respeitaram a traça gótica, utilizando-se o estilo neo-clássico, quer na igreja, quer nos lanços do Claustro. A este mosteiro, estão associadas figuras históricas para além do seu fundador Rei D. Dinis, cujo túmulo datado da primeira metade do século XIV, se encontra na capela absidal do lado do Evangelho. Neste mosteiro morreu a rainha D. Filipa de Lencastre, filha do infante D. Pedro, após a batalha da Alfarrobeira, viveu segundo as normas do ideal ascético, irmã de D. João II, princesa Santa Joana.

O Mosteiro de S. Dinis, era de freiras bernardas, da Ordem de Cister. As residentes eram filhas da nobreza, que não casavam por não disporem de bens, quando a família não lhes atribuía um dote. Não estando prometidas em casamento a algum nobre, as raparigas recolhiam à sombra protetora dos mosteiros, enriquecidos com as doações dos reis e dos nobres, para aí levarem uma vida segura, em termos económicos.

A proteção das recolhidas do Mosteiro de Odivelas era quebrada com as visitas dos reis a raparigas de seu agrado; quer D. Dinis, quer o rei D. João V frequentavam o convento, sendo que a célebre Madre Paula, era mãe dos filhos de D. João V.

Em 1834 extinguiram-se as ordens religiosas, durante a Monarquia Constitucional, e em 1902 o convento foi entregue ao infante D. Afonso que nele promoveu a instalação de um Instituto de Ensino. É Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910.

CRUZEIRO – MEMORIAL

Este monumento, situado na zona antiga da povoação de Odivelas, no local que foi a entrada do velho povoado, está classificado como Monumento Nacional por Decreto Lei de 16/06/1910. De arquitectura gótica primitiva, é também conhecido por “cruzeiro”. Fica situado a escassos duzentos metros do antigo convento, orientado no sentido Sudoeste-Nordeste, uma das faces voltadas para Lisboa, outra para o Mosteiro.

Monumento da época diocesana, é construído em calcário Lioz, extraído das pedreiras de Trigache – Famões, e compõe-se de dois registos. No primeiro andar, quatro pares de colunelos apoiam os arcos trilobados. Sobrepõe-se à arcaria, um arco ogival, caraterístico do gótico primitivo. Coroa o monumento a empena lisa e, na face Noroeste, o escudo português medieval, usado na Armaria até ao reinado de D. Fernando. Remata o monumento uma cruz, constituída por quatro semicírculos, formando um florão, semelhante a outros que aparecem em monumentos portugueses do séc. XIV.

Descrito o monumento, resta a incerteza quanto à sua origem e significado.
As explicações dividem-se entre ter sido erguido para nele descansar o caixão mortuário de D. Dinis, falecido em 1325, que vinha a sepultar no Mosteiro das freiras Bernardas, ou para D. João I ao ser transportado de Lisboa para a Batalha, em 1433. Ou ainda, tratar-se-ia de um simples padrão de couto demarcando limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro, ou um local de portagem, tendo objectivos fiscais de cobrança do imposto de barreira da coutada.

PADRÃO SENHOR ROUBADO

Este padrão de devoção religiosa popular integra-se na arquitectura religiosa barroca. O padrão do Senhor Roubado foi edificado em 1744, como símbolo expiatório do “sacrilégio furto” ocorrido na Igreja Matriz de Odivelas na noite de 10 para 11 de Maio de 1671. Este oratório de pedra assenta em 4 colunas toscanas de mármore, é coberto por abóbada e rematado por 4 fogaréus joaninos.

No centro da cimalha arqueada está uma figura feminina segurando um cálice e uma flor podendo simbolizar o triunfo da Eucaristia ou uma figura alegórica da fé.

A narrativa do furto é-nos relatada pelos azulejos historiados, dispostos em 12 painéis colocados num paredão.

CORETO DE ODIVELAS

O Coreto de Odivelas foi construído no Largo D. Dinis, único largo com dimensões capazes de acolher.

Primeiramente, estava sensivelmente ao centro, em frente ao Mosteiro, tendo sido posteriormente desmontado para ser reconstruído no pequeno espaço ajardinado, à esquerda de quem entra no largo.

É formado por uma base ou plataforma octogonal com 1,60 m de altura, rebaixado interiormente à profundidade de 90 centímetros. Esta base funciona como caixa de ressonância e tem 6 m de diâmetro.

Em cada um dos ângulos fixam-se colunas de ferro de 3,60 m de altura, sobre as quais assenta a cobertura, em forma de cúpula bolbosa, de folha zincada, tendo como remate um cata-vento.

Sobre o embasamento e em todo o seu perímetro, um gradeamento decorado com liras, flores e espirais.

Sob a cobertura, em toda a volta do entablamento, um friso reproduzindo uma pauta musical.
A altura total é de 6,5 m.
Foi construído entre 1910 e 1913, com donativos dos habitantes.